Existem 3 fases da ignorância: Não saber que não sabe. Saber que não sabe. Não saber que sabe. Qual a sua?

terça-feira, 26 de junho de 2018

retórico erótico

De eloquência, de sangue:
é do que estamos a nos lambuzar.

Nada há de fato.

O que é a cultura senão uma invenção dos antropólogos?
A criação burguesa do amor e da ideia de herói?

O que é esse horizonte literário de onde nos inspiram vontades literais?

Que rodopiemos,
que nada mais é que mexer-se sem sair do lugar,
até o território da psicanálise:
pouco.

Há saberes que suportamos apenas se implícitos.

Da religião à ciência,
do analista ao analisante,
do medo ao desejo,
da sociedade ao indivíduo,

todos pares onde a seta de direção muda facilmente
onde a única condição de existência é a fé,
que sorri ao invés de se curvar.

Talvez tudo que o retórico queira
seja tocar no erótico.


r-e  t -ó- r  -i-c-o

e-r    -ó- t   -i-c-o

.

sábado, 2 de junho de 2018

o texto que você me fez fazer

à atribuição dada depois de um encontro, encaminhamento, dever escolar ou qualquer coisa que o valha: a isso dá-se o nome de lição de casa. trata-se de, no ambiente da intimidade, livre de institucionalidades e corporativismos, cumprir com tal tarefa para entregá-la feita, pronta, executada.

penso que a casa vá no título da incumbência porque há alcances, chances, reflexões que só são possíveis nesse espaço nosso, nesse espaço da gente.

e tem algum tipo de lição de casa que venho procrastinando, e percebê-la como adiada era parte do exercício. fico feliz em ter começado. mas mais que feliz, fico impressionada com um certo jeito coreográfico mágico que a vida escolhe se mexer.

a dança metafórica das coisas me é tão extrema que minha lição de casa aconteceu com um professor, ao lado de livros, numa cadeira tipicamente de ginásio, junto e completamente dentro da minha própria casa. já não se pode mais escapar. os símbolos estão praticamente desistindo de atuar em meus caminhos e se tornando literariedades óbvias. a poesia está se tornando óbvia. a poesia está ficando nas coisas, em cada uma delas.

já há uma semana, quando da terça da lua crescente - e minha decisão em cortar o cabelo por isso - posso dizer que minha capacidade em enxergar esse enigma filosófico, álgebra solitária, tarefa da existência, estava aparecendo. agora, cerficado pela minha alma que ele existe, é hora de tentar começar a resolvê-lo.

talvez a esse processo pertença o que alguns sábios, ignorantes, atentos e distraídos dão o nome de vida, à resolução de lições de casa da casa que somos nós.

domingo, 9 de outubro de 2016

a vida e o mundo

certa vez tentei explicar sobre o ser-mar
sobre o potencial rio que habita em cada um de nós
que em poucos deságua
que em muitos reprime

disse-lhe que se tratava, ele, dessa água toda
daquilo que é imenso
que dispensa formas

faz algum tempo que venho tentando
é difícil, porque existem muitas certezas ali
travestidas de humildes achismos

tenho aparecido de várias formas
a questão é que ele não se lembra,
mas nos conhecemos já há um bom passado

eu, vida
digo: me viva!

ele, mundo
responde: medo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

inconsciente

quando soube
(me disseram)
que o mais interessante daquilo que pensamos
é o que não passa na nossa cabeça,

foi quando não disse mais nada.

a grande questão
- pra não dizer verdade -
é que soube disso hoje,

mas parei de escrever há tempos