Existem 3 fases da ignorância: Não saber que não sabe. Saber que não sabe. Não saber que sabe. Qual a sua?

domingo, 27 de dezembro de 2009

Acordando sonhado



Agora
Que todos dorminhocamente dormem
É a hora
Em que falar é baixo
Só com a desbocada boca

Porque se os ouvintes ouvidos
Fizerem unicamente a única coisa que sabem
Notaram o maior barulho barulhento
De todas as silenciosas vinte e quatro horas

Pois quando dormem
Os espectadores olhos
e só os olhos,
São deixados de lado para cansados descansarem

Todo o resto iluminadamente se ilumina
Escancara escancarado
Exagera exagerado
E fazemos de conta que nem sabemos
Como se nosso ver
Fosse o viver
De sonhar

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Caminhos extremos

Eu procuro uma arte
Eu procuro sossego
Viver do que me cego
E sigo

Amo assim
Isso
Simplesmente
Essa mente simples

Que ninguém dá bola
Se joga no sofá
Arrota
E dorme

Hospedeira estrangeira
De mim

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Não, obrigada, já estou ceia.

A tinta que gasto nesse papel/ Não sei se é lucro/ Ou se desperdício// Investir tão leiga/ Nesse vício// Manusear com cuidado/ A delicadeza da linha/ Que repito tanto/ O pronome relativo// Assim como o tempo/ Agitando antes de usar

Uma
pa-
lavra
curta
para
caber
nesse canto
do cartão

De Natal, que vai pro
lixo (daí rabisco)
E ressucito amor
Exercitando

Assassinando o
verso
Que me rou-
bou a paz
E és único
de vida
eterna

O calendário/ A me encarar/ Pedindo respostas/ Do que vou ser/ Se sim ou não, um novo ser// O próximo/ Próspero/ Áspero/ Ano novo// Ano a seguir/ Menos adiante/ Suando e congelando/ Corações apaixonados/ E estômagos afomentados

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fase 2

Ela era o que não é
O aparente nada que tudo pode ser
E o tudo que não tanto assim

E ela
Ingenuamente ela
Atravessou a ponte
E chegou aonde hoje é
E nem é tanto assim

Ela
Que ama
E bem ama
Por apenas amar
Esperar

Sabiamente ingênua
Forçando a testa
Pro pensamento convencer a cabeça

Mentalizar
Coralizar

Ela
Mentalizando com o coração
Pra passar pela ponte
Agora
Com seus sapatos de salto novos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

LIBERTÁRIO

ESSE AMOR QUE SINTO
NAS LINHAS JÁ MINTO
POIS EXTERNIZO
O QUE É INTERNO
SEJA VERÃO
SEJA INVERNO

A PLENITUDE DO AMOR
QUE O OUTRO SOMA PRA EVOLUÇÃO INDIVIDUAL
O AMOR
SEM APEGOS
QUE LINDO FLUTUA
FAÇA SOL
FAÇA LUA

O VÍCIO ENCIUMADO E IMCOMPREENSIVO
DO CONTRATO DO AMOR
ALIENADAMENTE DE ALIANÇAS

O AMOR
GRANDE AMOR
E AQUI NÓS
TÃO PEQUENINOS
ATÉ RESISTIMOS
AINDA FINGIMOS
AMAR
QUANDO AINDA NEM SENTIMOS
O AMOR

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sou fria

Eu sou fria
E ainda sofro

Tão cansada...
Eu não preciso de nada
Para ser poeta

Contudo, ninguém não
Alguém sim

Apesar desse amor meu
Libertário amor
Amado bem de verdade
Não se completa

Potenciacataliza.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Se saísse...

Família (substantivo feminino):Grupo de pessoas ligadas por laços de casamento ou parentesco; Pai, mãe e filhos; Linhagem estirpe; Prole; Grupo de animais ou plantas com caracteres comuns; Raça, origem, trono; Descendência, sucessão.

À vós, minha família, deixo esta carta, que um pouco me corta e outro pouco me alegra. Aqui, sua filha, e irmã, que fala, e muito, dosando como droga as palavras, entorpecendo estas cabeças suas que negam-se ao vício. À vós, minha família, despedirei-me da presença, que nada faz, ou fez.

Dos traumas meus, erros meus, excessos meus, culpei-lhes, cobrei-lhes, mas amar... Amarei sem passado. E conversas mil, papos sem êxito, instigando fracassada alguma mudança dentro de tudo que vi, que acho, que pertences a mim, e mais ninguém, mesmo que família.

Sedes, vontades, planos e metas comuns, conjuntas e unidas só por eu e eu. Minhas várias faces lutando para compartilharem rostos e cerebelos seus. É hora da moderna dada de tempo. Hora do fruto sair, pra ver se o solo é bom e em se plantando tudo nessa terra dá.

Podia ser eu a mais desconcentrada, desatenta, pra não dizer acomodada, mas não, pensadora sois. E acreditando ser o menos inconsequente possível, seguirei ainda que momentaneamente acreditando que passo errado é o não dado.

À minha mãe, que eternamente me ouvirá, seja pra aprender, seja pra ensinar, deixo meu abraço mais demorado, o beijo mais molhado e peço de antemão o melhor conselho dado, agradeço pura e plenamente, respirando bem fundo, por toda minha vida.

Ao meu pai, a quem sempre me igualarei, apesar de puxões de orelha vitais, peço que banhe-te da água mais fria, a da alma, pra que acordes e possas responder a tudo e todos que és, sim, O cara. Peço dinheiro também.

Ao meu irmão, vendedor de idéias, e o mais inteligente irmão, que pratica a sensatez, e que me ensinou como ser uma elegante mulher, esbajando muito charme, mas não mais do que de mãos dadas andadas contigo pra me orgulhar, registro minha admiração e apreço, já que me atiças a vontade de pensar e sentir do mais certo jeito, o mais belo, e melhor.

Não posso endividar-me pela saudade que vem no amanhã, pois o amanhã não acontece. Respondo pelo amor fraterno que veio, está e ficará, na longevidade mais longa de calcular.

Espero retornar, pra aconchego aproveitar e com vós, família, recomeçar.

Suzana Schulhan Lopes

sábado, 5 de dezembro de 2009

Um bocadinho

A sorte de te ver chegar
Quase ao meu lado sentar
Disfarçar
No ar rimar, literar

Vergonha pra se expôr
Mostrar-se
Em risadas desmontar-se
Mas baixinho

Sem alarde
Com a sorte de um beijinho
Pra dar tchau,
tchauzinho

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Já Elvis!

Eu sei, é difícl
Escrever sobre o fim real
Acho que agora literal
Se escrever, ficarei tão mal

Menino muro, muro pequeno
JAMAIS LEIA ESTE VERSO ou pense o inverso
Desdenhos no começo
Seus desenhos do lado avesso

Em corpo de vinho banhado
Deitei-me ao teu lado
E em fim real, agora é passado

Olhos tocar, mãos imaginar
Linhas pensar, pensamentos fugir
Com o coração inevitável

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

P'arte

A arte que matam, me mata
Que me faz nascer
Mais viva querer ser, crescer

A arte ao invadir
Enfarte
Farta os olhos
Da insaciável cabeça

Arte implorando
Que exponha o deplorável
Lamentável
Indomável arte

A arte que não chega
E se chega
Chega!
Basta!
Agora é arte

Fazendo arte
Com dor ou saudade
Um caso à parte

Que no verso se parte
Na música chega em Marte
Pintura quase arde
Quando o alarde
É plural

Black - o garçom

Preto
Cinza que queima
Fogo

O preto do bar
Traduzido em seu amarelo avental
Vendaval
De contos

Aos montes
Preto
Gigante

Preto, branco
Tiro o tamanco
Pra descer à ti

Jantar
Juntar
Beber, embebedar

Nas cinzas pretas
Fumaceando as tetas
E na cerveja cheirar

Preto
Preto
Meu apreço a declamar

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Consequência só pra mim

Que tens tanto a fazer em minha cabeça
Que não sais dela?
Por que ocupas tanto meu coração?
Por que o meu e assim?

Se eu te ver de novo
Após em ti pensar como pensei
-E como pensei!
Vou mais te amar

E perguntar
Pra eu
Por que isso agora?
Ou desde sempre

Afinal,
Tudo lembras tu
Tudo tu
Criado a partir de você

Que partiu
A mim
Assim
Como estou
Como não sou
Feliz
Sem você