Existem 3 fases da ignorância: Não saber que não sabe. Saber que não sabe. Não saber que sabe. Qual a sua?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Bem que podia

A medida do tempo bem que podia
acompanhar o coração
Bem que podia
E repudia os desejos amantes
Passar enterrar funilar

Bem que podia
O tempo mal passar
Ou todo ele morrer
pra só

o amor
amar

Bem que podia mesmo
Espera cada um
Tanta coisa
O bem, que podia mesmo,
só esperou

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Canelas inchadas

Mentalmente, refazia o conteúdo material do quarto, e confirmar com os normais olhos, os da frente da face, que o caderno estava, sim, à esquerda, em cima de xerox e livros emprestados, foi-lhe aval, crédito e passagem, como que dizendo que agora só faltava encontrar uma, que nem carecia de ser a, caneta. Naquele instante, nas folhas que num passado não muito distante ocupavam sua matéria mais excitante da faculdade que trancara, cumpriu com sua fisiologia alfabetizada.

O mais cômico, rotineiro também, mas engraçado, notável, era que sempre essa pessoa fazia introduções das introduções do que faria ou falaria, na prática ou na teoria, como que meio se justificandinho para quem ela (pessoa) sabe que não existiria, o/um leitor.

E, portanto, por tantos adendos e justificações, o teor da sua sensibilidade (residente lá no início a começar a achar que talvez, quiçá, quem sabe, o caderno estivesse ali para ela (pessoa) talvez, quiçá, quem sabe, correr, escorrer e discorrer sobre as impressões e inspirações criativas e imagéticas de sua canela que lhe parecia mais inchada pois sabe-se lá pois, sem dizer a respeito do quão prazeroso (e ela, a pessoa, volta e meia refletia sobre isso) era no papel e não no teclado emperrado do computador escrever, porque o primeiro é diálogo, vivo, de dois; o segundo, bem, o segundo não, não tanto), morria num tom esquizofrênico, não insensível porém, de sede em mostrar que cuidava das possíveis observações a serem feitas por alguém, o ninguém, que lesse.

Por fim, o que era para ser começo de sua arte, que sem espaço e respeito adoece e dá câncer ao ser, o que ficam são explicações. E ela (pessoa), está insatisfeita sabendo que poderia ter mais bem tratado suas subjetividades autorais e belas, e piamente promete que começará, na próxima vez, de uma vez!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eliminatória

a forma que o bloco de papel se esticou
fazia as folhas deitarem-se umas depois das outras
exibindo-se para mim
desfilando
para o concurso de qual era a inspiração a ser escolhida
para eu fazer uma poesia

nenhuma ganhou

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Poesia por encomenda

No primeiro verso você propõe
Nem sempre alguma coisa diz
No terceiro, uma rima você expõe
Basicamente assim como fiz

Se tiver vontade
Faça uma reflexão
Mas sem muito alarde
Pra que não toque o coração

Por que daí não!
Só vai dar em problema
Não sei qual babaca que disse
Pra ter sentimento no poema

Escrever isso aqui
Dispensa sensibilidade
É só olhar o mundo
O outro
Perceber-se
No fundo
Da superfície que te engole
Na rotina
A saliva que velha fica
Engolida no seco
Sem ser verdade
Sem ser saliva

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Passeio Público

Primeiro
Banhado pela benção divina Jerus
Passa na praça
Que de Japão faz unção

Só são
Para saber (ou não)
O que é prazer
Na Rua XV, o calçadão

O buraco bucal inglório
Boca maldita
Osório
Praça

Manifesto

Um dia - Grafite de verdade
Quem pixa mais alto?
Quer um pãozinho?
de queijo

O centro é velho
Mas na catedral a reza é atual
E moderna

Na auto glória
Metagloria
Alto glória
é o livreiro

A santa felicidade
que nos despedimos pelo Agostinho Padre

Mudou Curitiba
ou mudei eu?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo pode sonhar!

Abri a embalagem com os dentes. Minha vontade, confesso, era não abrir, permanecer o instante em que abri o pacote e li "O artesão". Mas o título pouco me importava, procurei o perfume, que sempre espero. Você me fez feliz tantas vezes que desta vez é inevitável eu querer arrancar o sorriso de seu rosto - Não por retribuição, não, mas por amor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

De Dentro

Num Mun
Do De
Ascensão - Busca - Correria

Nesse mundo mesmo
Tudo o que ele faz é desenhar
E consegue
Desenhar sua comida na mesa
Desenhar seu novo casaco

Outro,
afina depois de muito ter desafinado
Canta-encanta em todo canto
E seu terceiro braço (o do violão)
É que estica para pegar o pão

Eu tento escrever
Ainda não
Ven
de
Mas
Vem
De
Mim

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Escrevendo só

Às vezes eu penso
Que o meu prazer de escrever
É físico
É só a caneta
Só o papel
E só

E que daí arrumei pretexto em poetizar
Para ficar escrevendo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

- Presente!

- Presente!
- É o que ela responde na reunião que pactua a dor dos... dos...
Na reunião de sua cabeça, que presenciou outras de vista:

"a intenção da minha intuição
bem que podia servir de inspiração
na solidificação
dessa líquida sensação

a ideia
do pacto secreto
que essa mão excreta
bem que podia ser reto
sem entortar o coração
sem ter que dizer não

bem que podia ser bom
bem que podia ter explicação"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

As palavras não dizem tudo

Quando tem fome
ou dor
ou sono
Chora o neném

O adulto
ou eu
Chora
Quando... Quando... Quando isso aqui!

domingo, 5 de junho de 2011

A u t o a d v e n t i s t a

Quando pensa
É nu
Pesa
O peso que compensa
O choro no lenço

Quando pensa
A Su
Reza
O terço que dispensa
Da escrita a crença

terça-feira, 31 de maio de 2011

(acho que) Pensar sobre pensar

Assim como eu
As pessoas
Pensam

A diferença
É que elas
Não pensam
Nem sob
Nem sobre
Isso

Sempre acho
Nunca encontro

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Avaliação parcial - Colonização

História do Brasil
1- Explique o que era a guerra justa:

pedinte de mim mesma
era para explicar uma guerra justa
que se movimentou num percurso da história

que minha
que sua

e me soa
na memória
de uma senhora
que era de si
de uma suzana
que já não é mais

que pensa
e que acha que já deu
mas que não usa a cabeça
e por isso se apegou
e por isso acostumou

e com isso se perdeu
quando percebeu
que nem metade daquilo que sente
ela escreveu

domingo, 22 de maio de 2011

V de Versar

Caso quisesse escrever algo
Na dúvida
Numa dessa
O caderno
Com a caneta
Já estavam ali do meu lado

Deixei ali
Pra não fugir a ideia que viesse
Se viesse
E se não viesse
Dormiríamos juntos
Os três

Pensar eu pensei
Divaguei
Ele me olhando
Ela também

Mas por fim,
ninguém algo fez
Apenas nos observando
Desejando-nos

O triângulo amoroso
vicioso
viçoso
versoso

domingo, 15 de maio de 2011

Como dizer que . . .

... quando olho a vida dos meus gatos sei que é uma vida feliz (mesmo com eles machucados ou com gripe), ou que ali reconheço mais sentidos vitais, e que a música, ou qualquer arte, mais bem combina com a vidinha deles do que com a minha - e já quis quase que por trinta vezes ser um felino - mas que só reconheço amor e dor por ser o monstro ser humano, sem responder se isso vale algo?

domingo, 8 de maio de 2011

Cifrar

Pensou que era para os outros
Era para Si

Com o sustenido Mi
Deu nos pensamentos uma Ré

Quase uma fé
Acreditando no Sol
De um novo ser

Um acorde com Fá
Que lhe acordou

Dava Dó
Do que perdeu de Lá

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Imaioculado

e como os pássaros
(aqueles lá daquele poema)
e como as borboletas

e comendo
eles voando vão
dentro do estômago, alma
cabeça
coração

meus

o casto tempo
que me tento
que se faça honesto impoluto

seus

que indignos de parabéns
que honrosos ao alheamento
que quase um probo esquecimento

deus

domingo, 24 de abril de 2011

Doeu

Ontem
Eu voltava nos escritos
E rememorava cada
Situação
Que inspirou

Hoje
Vejo todos como se apenas um
E consigo saber só de uma
Sensação
Que matou

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Abril despedaçado

Você pode achar simples
Ou só divertimento textual meu
Mas, meu
Meu abriu
Me abril

E aqui tentei escrever as palavras
Palavrinhas
Quase como meus pensamentos
- Ou são eles quem o fazem?

Talvez esse meu poema fosse melhor
se eu tivesse parado ali, no décimo verso

Talvez essa minha vida fosse melhor
se eu tivesse parado lá, no primeiro verso

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Que não tenho

já tempo nem mais tenho
tenho mais
nem de ter medo

e o tempo que tenho
é para escrever
do que não tenho

terça-feira, 12 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

Ela

Devem, os senhores, ser sabidos daquela sensação de vida nova que grande parte das pessoas tem com uma segunda-feira inspirada, um começo de mês, um novo corte de cabelo.

Sem só mais uma dessas tentativas ser, aviso que esse é um real marco, um fato, de uma história que luta para não ficar só na memória... De um intelecto cultural prejudicado com fortes angústias, que faz do pensamento quase natural, e, assim, quase necessário, que valoriza o amor e o crê como vital.

Uma retomada experimental, talvez eterna, é o que dá luz a, quem sabe, uma nova de mim, e, quem sabe, não melhor.

Esse é um comunicado que ficará pregado na parede de vossas lembranças, para consultarem quando se perguntarem o motivo da falta de reconhecimento do meu eu, quiçá que permanecerá sozinho, mas que não mais procurará seus gêmeos da crédula e esperançosa forma que até hoje o fez.

Suzana Schulhan Lopes

- Duvido! - Ele disse.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

eu e o mês

sempre as mês
más coisas

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quiçá

hoje sei
donde vem
arte

se faz, afago
à parte

um dó, do nó
que o cora
ção não parte

hoje eu a
choro por a
charmoso esse ar
dor

que cria inspira
são ou vão
e se vão
no vão
desse
em
tão
por
quê
?

domingo, 27 de março de 2011

Foi deitar melhor do que levantou
Como se colocasse o óculos para fazê-lo

Para mais bem ver os sonhos
Melhor sentir o que vem de dentro da fala que não sai do pesadelo
Quando se pede ajuda
No mudo mundo abaixo do pensamento depois de dormir

Do grito que não sai
E a perna que não mexe
E a tensão
Bate o coração
Que desperta a visão
E fragmenta o real

Ir para a cama é quase um ritual
Um pacto ficcional
Com aquilo que viveu, e pensou, e sentiu
Memorando - rememorando
Remoendo
Esfarelando o concreto da representação

E há quem diga não
Aos avisos dessa encenação
psico-virtual

Há quem ache um mal
Quem ache espiritual

Há em quem o coração esquenta
Ou em quem ele esfria

Há quem não ache nada
Há quem ache uma piada
Há quem faça poesia

terça-feira, 22 de março de 2011

É de imaginar bobagem...




toda dor repousa na vontade

domingo, 13 de março de 2011

Alarde falso

Tentou ver até onde o cigarro permanecia aceso enquanto tomava banho. Acompanhou da maçã direita do rosto até o começo das costas a, pelo menos única, lágrima fugitiva de um amargo não-saber interiorizado. Dançou junta de mais de dez expressões cálidas e pálidas de sua branca superfície. E desejou perto da palavra mais difícil, e quiçá o sentimento mais vergonhoso e tolo, horizontalizar um amor vertical, um moderno sentimento líquido, sem grandes atribuições, sem poucos interesses.
Sequer a poesia aparecera.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mesmo


Lágrima sem objetivo
Lágrima do não sentido
Por não sentir
Por não presente

Se só uma fosse
As outras seriam de alegria
Por só uma ser

A liberdade
Presa ao rio interno
De nossos intestinos

O rio que chora pelos olhos
E olhos que choram pelos mesmos olhos
E pelo que esses olhos veem

Mal sabe
Daquilo que cabe

Mal sente
Lamente

No peito
Mesmo que acabe
Perfeito

segunda-feira, 7 de março de 2011

Impotente

Nem mais nervosa
De mãos tremidas ou estômago barulhento
Suor secou
Espontâneo não mais é

Não festa, não manifesta
Naturalidade foi-se embora
Surpresa esqueceu-se de surpreender

Sem arregalar os olhos
Aumentar respiração
Sem nem acelerar o coração

Até que...
Não,
não é nada

terça-feira, 1 de março de 2011

Leva e traz


Domingo, seu filho de uma puta, se você não existisse, não existiria junto com você tanta coisa, tantos eus, tantos tontos deles.

Domingo, eu não pensaria, sofreria ou me arrependeria, sequer sentiria, domingo, por que de ser, domingo?

Nenhum pedaço de papel me olharia, até as canetas e lápis não se amigariam, o amor não se arriscaria conjugar-se na mente; sente, solamente.

Se Deus te fez para descansar, por que é que não me sossega, domingo? Por que não paro? Se a filosofia existe, se a arte, óh, domingo, se há dor, a culpa é sua!

Domingo, só sou o que sou, isso aqui, por ser assim como é, endomingando.

E quando você morrer, e eu dormir, assim que se desfaça, domingo, o vício vai me coçar, vou te julgar de errado, e te desejar de novo, pra que confirme que meus domingos são classificações de solidão, e porque assim existo, e, domingo, hoje, junto com tudo, de fato, tufo de fato, queria que você acabasse, esperando, assim, que acabasse o todo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cicatriz no rosto

Perambulando com os astigmatas olhos
Ansiosos eufóricos pâncreas
Desaforados e arejados pulmões

Tosse o monstro
A fumaça do já terceiro cigarro
aceso agora pelo só charme
Tão impuro

Mas saudável à elegância da paixão
Espelha na cara do monstro
não mais tão apressado
O espelho, até ele, assustado

Com o sono pedinte do prazer de dormir
e ali viver
Pois amar
Faz-se sonho
Bastando, pois, essas feias belezas
só acordadas para sobreviver

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Escrevendo seu sorriso

E como um favor
Ela me pediu que escrevesse
E como um dever
Foi que eu expus
O pus
Das feridas que expomos
Uma para outra
De nossos interiores

Petrificando
E remontando
O gerúndio de uma amizade sem imperativo
Só o interativo
De nossas devotas e sagradas relações

No pestanejar de nossos olhos
Silencia o sentimento
Que parece dormir
Mas na verdade confirma
De forma lenta, sábia e gradual
O re-significar

Valorizando
A sensação quase maciça
O envolvimento de uma areia movediça
Da Vênus pura
Que é Larissa


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Escravatura da Comunicação

que direito, mundo, você tem de me jogar aqui?
sem me dar escolha
eu que queria viver o amor
viver e que a vida fosse apenas isso

não queria toda essa carga
não queria esse tempo
não queria os frutos
das sementes
que jamais pensei em plantar

e a minha essência
minha expressão
meus deveres
minha beleza

minha imagem
é mais que eu mesma sou
a expressão que me faz refém

não queria ter que pensar mais nela, mundo
não queria

mas me forço a precisar
a me cobrar
minha comunidade nada comunal
coisas
os, as

essa crítica, esse pensamento
essa reflexão
sem outras alternativas para pousar

e vejo a história
engolindo meus sentimentos
sem pedir licença
e até o espelho que me reflete essa dor
é fruto dessa podre geração

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Axioma

eu estava em frente ao computador, confortavelmente e bem intencionada a escrever virtualmente, recheada de praticidade, sentimentais versos e amigáveis conversas. esse texto será a todos os ignorantes de plantão, e de muito plantão, classificando-se como completos babacas comungados à destruidora internet dona da liberdade.

fui até a cozinha, catei minha caneta, e mesmo sabendo que vou digitalizar, questão fiz de meu próprio punho direito externar, junto do calor corporal, a decepção de acordar de um sonho que me mostrava senso crítico, noção e sensatez.

desperta, confessando certa confiança, durmo com ao menos um segundo diário da desilusão pelos burros que depositei minhas esperanças. é que no fundo não queria ser assim, tão só.

e se existe Deus, senhores, a prova sou eu. Deus me deu esse rosto tão delicado e as mãos tão graciosas para compensar o rude interior, arranhando a boca e de amargo gosto,e para quase não acreditarem que é da tão doce mão que ela caga, a ponto de sua merda embelezar em primeiro lugar aquilo que dela sai.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bem como


Como um pássaro
estou sozinha sem que alguém possa me ajudar
Como um pássaro
eu preciso esperar

Eu como um pássaro
E aqui dentro de mim
Não há fim
Onde ele voa

O céu arrisca se comparar
com a mente
minha
Uma vez grande
E tal vez sozinha

Um ninho
pro passarinho
que canta
e com seu choro bem-te-vi e tantos outros bens
disfarça sua dor
E há quem ache cor
Quem ache bonito
E até quem ache graça

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Altar particular

São duas as coisas, ou sensações, ou...
São duas,
essas merdas,
que eu não tenho,
os óculos,
ah, meus óculos!
E idem
E junto
é a incerteza de que lerá

O pior
A incerteza de que SERÁ - essa pior
maiúsculo
e másculo

Mas eu escrevo
de olhos sonolentos
e seios carentosos
lábios gostosos

E ferida aberta

Desperto, ou tento
Tola me sinto
E assim grito junto às aparências
Torcendo que fiquem das boas

E que as CONSEQUÊNCIAS
das circunstâncias
morram.