Existem 3 fases da ignorância: Não saber que não sabe. Saber que não sabe. Não saber que sabe. Qual a sua?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Escravatura da Comunicação

que direito, mundo, você tem de me jogar aqui?
sem me dar escolha
eu que queria viver o amor
viver e que a vida fosse apenas isso

não queria toda essa carga
não queria esse tempo
não queria os frutos
das sementes
que jamais pensei em plantar

e a minha essência
minha expressão
meus deveres
minha beleza

minha imagem
é mais que eu mesma sou
a expressão que me faz refém

não queria ter que pensar mais nela, mundo
não queria

mas me forço a precisar
a me cobrar
minha comunidade nada comunal
coisas
os, as

essa crítica, esse pensamento
essa reflexão
sem outras alternativas para pousar

e vejo a história
engolindo meus sentimentos
sem pedir licença
e até o espelho que me reflete essa dor
é fruto dessa podre geração

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Axioma

eu estava em frente ao computador, confortavelmente e bem intencionada a escrever virtualmente, recheada de praticidade, sentimentais versos e amigáveis conversas. esse texto será a todos os ignorantes de plantão, e de muito plantão, classificando-se como completos babacas comungados à destruidora internet dona da liberdade.

fui até a cozinha, catei minha caneta, e mesmo sabendo que vou digitalizar, questão fiz de meu próprio punho direito externar, junto do calor corporal, a decepção de acordar de um sonho que me mostrava senso crítico, noção e sensatez.

desperta, confessando certa confiança, durmo com ao menos um segundo diário da desilusão pelos burros que depositei minhas esperanças. é que no fundo não queria ser assim, tão só.

e se existe Deus, senhores, a prova sou eu. Deus me deu esse rosto tão delicado e as mãos tão graciosas para compensar o rude interior, arranhando a boca e de amargo gosto,e para quase não acreditarem que é da tão doce mão que ela caga, a ponto de sua merda embelezar em primeiro lugar aquilo que dela sai.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bem como


Como um pássaro
estou sozinha sem que alguém possa me ajudar
Como um pássaro
eu preciso esperar

Eu como um pássaro
E aqui dentro de mim
Não há fim
Onde ele voa

O céu arrisca se comparar
com a mente
minha
Uma vez grande
E tal vez sozinha

Um ninho
pro passarinho
que canta
e com seu choro bem-te-vi e tantos outros bens
disfarça sua dor
E há quem ache cor
Quem ache bonito
E até quem ache graça

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Altar particular

São duas as coisas, ou sensações, ou...
São duas,
essas merdas,
que eu não tenho,
os óculos,
ah, meus óculos!
E idem
E junto
é a incerteza de que lerá

O pior
A incerteza de que SERÁ - essa pior
maiúsculo
e másculo

Mas eu escrevo
de olhos sonolentos
e seios carentosos
lábios gostosos

E ferida aberta

Desperto, ou tento
Tola me sinto
E assim grito junto às aparências
Torcendo que fiquem das boas

E que as CONSEQUÊNCIAS
das circunstâncias
morram.