Existem 3 fases da ignorância: Não saber que não sabe. Saber que não sabe. Não saber que sabe. Qual a sua?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quiçá

hoje sei
donde vem
arte

se faz, afago
à parte

um dó, do nó
que o cora
ção não parte

hoje eu a
choro por a
charmoso esse ar
dor

que cria inspira
são ou vão
e se vão
no vão
desse
em
tão
por
quê
?

domingo, 27 de março de 2011

Foi deitar melhor do que levantou
Como se colocasse o óculos para fazê-lo

Para mais bem ver os sonhos
Melhor sentir o que vem de dentro da fala que não sai do pesadelo
Quando se pede ajuda
No mudo mundo abaixo do pensamento depois de dormir

Do grito que não sai
E a perna que não mexe
E a tensão
Bate o coração
Que desperta a visão
E fragmenta o real

Ir para a cama é quase um ritual
Um pacto ficcional
Com aquilo que viveu, e pensou, e sentiu
Memorando - rememorando
Remoendo
Esfarelando o concreto da representação

E há quem diga não
Aos avisos dessa encenação
psico-virtual

Há quem ache um mal
Quem ache espiritual

Há em quem o coração esquenta
Ou em quem ele esfria

Há quem não ache nada
Há quem ache uma piada
Há quem faça poesia

terça-feira, 22 de março de 2011

É de imaginar bobagem...




toda dor repousa na vontade

domingo, 13 de março de 2011

Alarde falso

Tentou ver até onde o cigarro permanecia aceso enquanto tomava banho. Acompanhou da maçã direita do rosto até o começo das costas a, pelo menos única, lágrima fugitiva de um amargo não-saber interiorizado. Dançou junta de mais de dez expressões cálidas e pálidas de sua branca superfície. E desejou perto da palavra mais difícil, e quiçá o sentimento mais vergonhoso e tolo, horizontalizar um amor vertical, um moderno sentimento líquido, sem grandes atribuições, sem poucos interesses.
Sequer a poesia aparecera.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mesmo


Lágrima sem objetivo
Lágrima do não sentido
Por não sentir
Por não presente

Se só uma fosse
As outras seriam de alegria
Por só uma ser

A liberdade
Presa ao rio interno
De nossos intestinos

O rio que chora pelos olhos
E olhos que choram pelos mesmos olhos
E pelo que esses olhos veem

Mal sabe
Daquilo que cabe

Mal sente
Lamente

No peito
Mesmo que acabe
Perfeito

segunda-feira, 7 de março de 2011

Impotente

Nem mais nervosa
De mãos tremidas ou estômago barulhento
Suor secou
Espontâneo não mais é

Não festa, não manifesta
Naturalidade foi-se embora
Surpresa esqueceu-se de surpreender

Sem arregalar os olhos
Aumentar respiração
Sem nem acelerar o coração

Até que...
Não,
não é nada

terça-feira, 1 de março de 2011

Leva e traz


Domingo, seu filho de uma puta, se você não existisse, não existiria junto com você tanta coisa, tantos eus, tantos tontos deles.

Domingo, eu não pensaria, sofreria ou me arrependeria, sequer sentiria, domingo, por que de ser, domingo?

Nenhum pedaço de papel me olharia, até as canetas e lápis não se amigariam, o amor não se arriscaria conjugar-se na mente; sente, solamente.

Se Deus te fez para descansar, por que é que não me sossega, domingo? Por que não paro? Se a filosofia existe, se a arte, óh, domingo, se há dor, a culpa é sua!

Domingo, só sou o que sou, isso aqui, por ser assim como é, endomingando.

E quando você morrer, e eu dormir, assim que se desfaça, domingo, o vício vai me coçar, vou te julgar de errado, e te desejar de novo, pra que confirme que meus domingos são classificações de solidão, e porque assim existo, e, domingo, hoje, junto com tudo, de fato, tufo de fato, queria que você acabasse, esperando, assim, que acabasse o todo.