
Domingo, seu filho de uma puta, se você não existisse, não existiria junto com você tanta coisa, tantos eus, tantos tontos deles.
Domingo, eu não pensaria, sofreria ou me arrependeria, sequer sentiria, domingo, por que de ser, domingo?
Nenhum pedaço de papel me olharia, até as canetas e lápis não se amigariam, o amor não se arriscaria conjugar-se na mente; sente, solamente.
Se Deus te fez para descansar, por que é que não me sossega, domingo? Por que não paro? Se a filosofia existe, se a arte, óh, domingo, se há dor, a culpa é sua!
Domingo, só sou o que sou, isso aqui, por ser assim como é, endomingando.
E quando você morrer, e eu dormir, assim que se desfaça, domingo, o vício vai me coçar, vou te julgar de errado, e te desejar de novo, pra que confirme que meus domingos são classificações de solidão, e porque assim existo, e, domingo, hoje, junto com tudo, de fato, tufo de fato, queria que você acabasse, esperando, assim, que acabasse o todo.
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