sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Barulhinho de mulher
É difícil convencer de que o constante bater daquele caminhar ocasionava deveras um silêncio, pois anulava do mundo o resto e dominava a educação do ouvido a ponto de poder considerá-lo como atemporal e até mesmo natural. Aos poucos dava para se ouvir também a tampa do batom sendo tirada e quatro segundos depois recolocada: provavelmente o tempo para cumprir sua já desatenciosa vaidade dos lábios. Os passos, e eu acho que eram isso, ficavam mais aproximados de meu pequeno e recheado de caixas cômodo. Parceiro dos andares, o barulho da sacola sendo jogada no lixo do prédio antecede o desligar do alarme do carro e nele os saltos entram. O que vem agora é um motor. A porta, que grunhe agudamente toda vez, sob com o comando da apressada e aparentemente (com uma aparência dos áudios) dinâmica mulher, engole-a ao mesmo tempo que executa minha inspiração.
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